Zelensky saúda empenho de Nova Deli na paz em visita indiana histórica

🗓️ 2026-09-03 📁 world-news 📝 ⏱️ 👁️ : -

Um pouco antes, o ministro dos Negócios Estrangeiros indiano, Subrahmanyam Jaishankar, encontrara-se com o homólogo ucraniano, Andrii Sybiga, que descreveu esta primeira visita bilateral como "histórica".

"Estamos gratos à Índia pelo seu empenho em pôr fim a esta guerra injusta, a guerra travada pela Rússia contra a Ucrânia", declarou Zelensky nas redes sociais.

"Este não é, certamente, o momento para a guerra. A paz é necessária. Essa é a posição clara da Índia", prosseguiu, após a sua reunião com Jaishankar.

Na segunda-feira, à margem de uma cimeira no Quirguistão, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, instou o seu "amigo" Vladimir Putin a encontrar uma solução para o conflito.

"A cada dia que a guerra continua, a humanidade regride, enquanto cada passo em direção à paz oferece uma esperança real. Devemos passar da guerra sem fim para a paz", sustentou Modi ao lado do Presidente russo.

Segundo Zelensky, o diálogo de hoje centrou-se também na situação no mar Negro, particularmente "nas ameaças à navegação civil".

"As ações da Rússia para bloquear os nossos portos, o nosso corredor alimentar e os nossos abastecimentos estão a perturbar gravemente as relações internacionais. Devemos trabalhar em conjunto para garantir a segurança", sustentou o líder ucraniano.

Com milhares de cidadãos a trabalhar no setor marítimo, a Índia está entre as nacionalidades mais representadas nas tripulações de navios comerciais.

Em julho, quatro cidadãos indianos morreram num ataque a um navio perto do porto ucraniano de Odessa, que Kiev imputou a Moscovo.

No final de julho, a Índia convocou o embaixador da Ucrânia em Nova Deli para condenar um outro ataque atribuído a um drone ucraniano contra um navio mercante no mar Negro, que causou a morte de um tripulante indiano.

Na sua conta da rede social X, Jaishankar afirmou, por seu lado, que no encontro com Zelensky debateram em especial "formas de reforçar" a cooperação entre os respetivos países.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após o desmoronamento da União Soviética - e que tem vindo a afastar-se da esfera de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.

A guerra na Ucrânia já provocou dezenas de milhares de mortos de ambos os lados, e os últimos meses foram marcados por ataques aéreos em grande escala da Rússia a cidades e infraestruturas ucranianas, ao passo que as forças de Kyiv têm visado em território russo e na península da Crimeia, ilegalmente anexada por Moscovo em 2014, alvos militares, logísticos e petrolíferos utilizadas para sustentar a ofensiva russa.

No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda quatro regiões – Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - além da península da Crimeia, e renuncie para sempre a aderir à NATO.

Os esforços diplomáticos mediados pelos Estados Unidos para pôr termo à guerra permanecem estagnados, mais de quatro anos depois do início da invasão russa em grande escala do país vizinho, em fevereiro de 2022, mantendo-se as trocas de prisioneiros e de cadáveres de militares como uma das poucas áreas de cooperação entre Moscovo e Kyiv.

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