Zema insinua que Tebet e Marina são oportunistas - 18/07/2026 - Política - Folha

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Pré-candidato à Presidência da República, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) insinuou, em evento na tarde deste sábado (18), que Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) são oportunistas.

O comentário aconteceu no momento em que Zema analisava o cenário da disputa pelo Senado em São Paulo e expressava apoio ao pré-candidato de seu partido, Ricardo Salles (Novo), que foi ministro do Meio Ambiente no governo de Jair Bolsonaro e, atualmente, é deputado federal por São Paulo, onde nasceu.

"São Paulo se transformou numa terra de oportunistas. Nós estamos aí com candidatas que não são de São Paulo e que vieram para cá, porque parece que, em seus estados de origem, não têm muita chance. São aventureiras que estão aqui, paraquedistas. Tenho certeza do meu apoio total a Salles", disse Zema.

Tebet é nascida em Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul, onde fez carreira política, ocupando cargos de deputada estadual e senadora. Foi ministra do Planejamento e do Orçamento no governo Lula 3 e, em 2022, candidatou-se à Presidência. Já Marina Silva fez carreira política no Acre, estado onde nasceu.

Quatro anos atrás, porém, foi eleita deputada federal por São Paulo e assumiu, no terceiro mandato de Lula, (PT), o Ministério do Meio Ambiente. Procuradas por meio de suas assessorias, Marina e Tebet não comentaram as declarações de Zema.

Em entrevista recente concedida à Folha, Tebet afirmou que nasceu na divisa com São Paulo e citou o fato de seu marido ter nascido em Birigui, no interior paulista.

Lembrou ter feito mestrado em São Paulo, onde suas filhas moram há uma década.

Marina, por seu turno, já declarou que tais críticos têm um fundo misógino. Afinal, "homens de outros estados foram "acolhidos com tapete vermelho", disse ela, em referência ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), nascido no Rio de Janeiro.

As declarações de Zema foram dadas no Encontro Nacional do Novo, realizado na capital paulista. Na ocasião, afirmou que pode definir o seu vice só depois das convenções partidárias, que vai até o início de agosto. Ele comentou as chances da ex-primeira dama Michelle Bolsonaro (PL), que já curtiu algumas postagens suas, ser a vice. "Eu fico muito satisfeito. É uma possibilidade, sim, assim como outras são."

Para isso acontecer, porém, o PL teria de desistir de lançar Michelle como pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como presidente da República, o que é bastante improvável.

Pelas redes sociais, Michelle afirmou que "não há nenhuma possibilidade" de ser vice de Zema. "Primeiro, não defini se serei candidata nem ao Senado. [...] Segundo, estou filiada ao PL. Um mesmo partido não pode ter duas cabeças de chapa concorrendo em coligações distintas para os mesmos cargos majoritários."

Em um cenário de fragmentação na direita, o ex-governador de Minas aposta na popularidade de sua "crítica aos intocáveis", como ficaram mais conhecidas as suas postagens contra o que ele chama de privilégios dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

O ministro Gilmar Mendes já processou o ex-governador por calúnia.

Em junho, pesquisa Datafolha mostrou Zema com 2% dos votos válidos. Ele tenta se diferenciar de outro candidato da direita, Renan Santos (Missão).

"Esse pré-candidato tem apelo para um tipo de público muito específico, de nicho. Ficar dando tiro para todo lado chama a atenção. Na hora do espetáculo, chama a atenção, mas na hora do voto muda um pouco", disse Zema, que afirmou ter a intenção de privatizar a Petrobras e o Banco do Brasil.